sexta-feira, 12 de março de 2010

*O Amor é Lindo, o Que Mata é a Cruel Realidade!*

*Amigos e Leitores, já faz algum tempo eu queria falar sobre o srº Osvanio, ou Pelé como ele se apresenta. Como eu trabalho em Japeri duas vezes por semana, município bem distante do Rio de Janeiro e com um dos mais baixos IDHs do estado, viajo sempre de trem, o que dá um pouco mais de uma hora da minha casa até o final da viagem deste ramal.
*
No trem de Japeri, durante a longa viagem, encontramos vendedores ambulantes de todos os tipos de produtos e também pedintes diversos. Um destes vendedores, apesar de aparecer esporadicamente, é o srº Osvanio um poeta popular. Nosso Pelé poeta, tem 72 anos, é negro, anda com uma bengala, declamando com sua voz baixinha e rouca os seus poemas. Ele oferece, por R$1,00, os seus mini-livrinhos como este aí. Os livrinhos tem 6 páginas, escritas na frente e no verso, nos quais srº Osvanio além de vender seus poemas, oferece ao comprador um poema exclusivo de brinde, com nosso nome feito na hora, declamando-o alegremente! Se o comprador for do sexo masculino ele pergunta o nome da amada e diz que os versos são para que o comprador dedique à sua amada. Srº Osvanio segue declamando e falando das situações que encontra no trem, mesmo com a voz baixa, seu sorriso comove e encanta quem presta atenção em sua apresentação. Comprei o livrinho acima no ano passado e agora quero dividir um destes singelos versos com vocês:
*
O Amor é Lindo (Osvanio de Almeida - Pelé)
*
Roubei-te um beijo e disseste
Que ser ladrão é pecado
Pois deixe-me devolver
O beijo que foi roubado
*
Adeus chorando disseste
Adeus te dei e sorri
Chorando tu me esqueceste
Sorrindo não te esqueci
*
Fitei seus olhos não minto
Teus lábios não posso olhá-los
Quanto mais vê-los
Mais sinto desejo de beijá-los
*
Como é lindo o nosso amor
Numa noite de luar
Bem juntinho de você
Não vejo o tempo passar

11 comentários:

lucidreira disse...

Olá amiga, são destes poetas populares que saem belos diseres ou poemas, este por ex. é belo e singelo que inocente mesmo falando de amor.
Bjinhos.

Guará Matos disse...

Um lindeza de poema. De simplicidade grande e de enorme carinho. Singelo e belo.
Bjs.

jader resende disse...

Oi Denise, os artistas de ruas tem uma particularidade, talvez por ser sua unica opção, por amor a arte ou as duas coisas. O que importa é que o amor acaba se destacando e falando mais alto.
Abraços

Rita Cidreira disse...

Oi, Minha Querida!
Você como sempre antenada, com o próximo. É isso que me encanta em você.
Sr. Pelé, irradia e divide suas maravilhas e seu amor!... Sem reservas. Infelismente a humanidade caminha de olhos fechados, e almas sem luz, para o amor ao próximo. Mas, Sr. Pelê, encontrou uma forma simples e hulmilde de polenizar, o amor.
Grande Beijo no coração, e bom final de semana.

Meias de Seda (Suzy) disse...

Assim como o Sr. Osvanio, há outras tantas figuras como ele que expressam a arte popular em todas as partes da cidade, fazendo da rua o seu palco e nos deliciando com sua criatividade.
Parabéns pelo espaço dedicado a esse artista anônimo.

Aproveito para agradecer seu comentário no artigo sobre Pixinguinha, que só fez enriquecer o post.

Tenha um ótimo fim de semana.
Bjos ;)

Denise Guerra disse...

Olá amigos Lu e Rita, obrigada pelo parecer de vcs sempre tão carinhosos e cuidadosos! Este Pelé Poeta é uma graça de pessoa, segue com seu passo vagaroso, voz baixinha declamando seus poemas e rimando coisas que acontecem no trem, é muito legal quando ele aparece. Que bom que vcs gostaram de saber que ele está por aí emanando sua singela arte e seu amor! Bjs no coração!!!

Denise Guerra disse...

Oi Guará, dizem que é nos pequenos frascos que encontramos as maiores essências e que o essencial ao coração os olhos não conseguem ver não é mesmo?! Muito obrigada pela essencial presença! Bjs!

Denise Guerra disse...

Oi Jader, vc sempre sensível aos mais puros de coração ou nossos seres injustiçados e indefesos! Vc tem razão quanto ao que move estes desbravadores populares para os quais não tem tempo ruim. Obrigada pela presença! Bjs!

Denise Guerra disse...

Oi Suzy, obrigada pela presença! A web precisa de mais pessoas como o Srº Osvânio. Que bom poder contribuir com seu espaço que tanto adoro! sobre o Pixinguinha sei outras histórias interessantes ouvidas nas rodas de samba e nestes livros dos quais falei no comentário em seu blog. Qualquer dia farei uma postagem destas para as crianças, acho que tem pouca coisa por aqui para as criança, e eu sou fã delas! Bjs!

Fernando disse...

Olá Denise,
por acaso deparei-me com seu blog na internet; parabéns pelo bom gosto. Contudo tenho uma observação a fazer: O Sr. Osvanio de Almeida não é o autor dos versos citados (pelo menos os das 2 primeiras estrofes). Tenho um livrinho do poeta mineiro Peri Oribe Rocha, publicado em abril de 1955 pela Editora Acaiaca de Belo Horizonte, intitulado "Meu Rosário de Trovas" com 56 trovas, entre elas as duas primeiras do folheto do Sr. Osvanio. Cito a primeira do livro do Peri:

Tenho um rosário de trovas
feito somente por mim:
E nele rezo baixinho
minhas tristezas sem fim.

Um abraço,
Fernando Soeiro

Denise Guerra disse...

Olá Fernando Soeiro, obrigada pela presença e pelos elogios. O Srº Osvânio já está com muita idade, provavelmente não consegue mais distinguir o que é dele e o que é o do outro. Ele com certeza é um poeta popular pois, cria versos na hora com os nomes das pessoas e situações que ocorrem no trem. Quanto ao autor que vc citou peço desculpas por não sabê-lo, apenas publiquei o que estava impresso no livrinho do Srº Osvânio o qual só consta o nome dele como autor. Um abraço! Volte sempre!

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