domingo, 21 de março de 2010

*20/03 - DIA DO CONTADOR DE HISTÓRIAS* veja o Credo do Narrador Oral*



*Ontem foi o dia do contador de história e, portanto, desejo saudar nossos ancestrais, nossos avós, nossos pais, nossos professores que sempre nos contaram e nos contam histórias, iluminando nosso mundo imaginário enchendo de magia nosso pensamento e nosso coração! afinal, "Quem conta um conto,aumenta um ponto". Para homenagear esta linda função eu trouxe o CREDO DO NARRADOR ORAL e tenho certeza que houve uma vez em que acreditamos nisso tudo!


CREDO DO NARRADOR ORAL (GRIÔT)


Creio no contador, como memória viva do amor e creio em seu filho, e no filho de seu filho, e no filho de seu filho, porque eles são a estirpe da voz, os criadores da terra e do céu das vozes: voz das vozes.

Creio no contador, concebido nos espelhos da água, nascido humilde, tantas vezes negado, tantas vezes crucificado, porém nunca morto, nunca sepultado, porque sempre ressuscitou dos vivos congregando-os a ser: xamã, fabulista, contador de histórias...

Creio na magia que na entrada das cavernas acendeu o primeiro fogo que reuniu como estrelas: o assombro, o tremor, a fé.

Creio no contador, que desde os tempos tribais a todos antecedeu para alcançar-nos por que é. Creio em suas mentiras fabulosas que escondem fabulosas certezas, no prodígio de sua invenção que vaticina realidades insuspeitas, e também creio na fantasia das verdades e nas verdades da fantasia, por isso creio nas sete léguas das botas, na serpente que antes foi inofensiva galinha, e no gato único no mundo, aquele gato que ao miar lançava moedas de ouro pela boca.

Creio nos contos de minha mãe, como minha mãe acreditou nos contos de minha avó, como minha avó acreditou nos contos de minha bisavó e recordo a voz que me contava para afastar a enfermidade e o medo, a voz que recordava os conselhos entesourados pela mãe para passá-los ao filho;— Não te desvies do teu caminho.— Nunca faças de noite o que possas te envergonhar pela manhã.

Creio no direito da criança escutar contos; e mais, creio no direito das crianças vivas dentro dos adultos de voltar a escutar os contos que povoaram sua infância; e mais, creio nos direitos dos adultos desde sempre e para sempre de escutar contos, outros novos contos.

Creio no gesto que conta, porque em sua mão desnuda, despojadamente desnuda, está o coelho.

Creio no tambor que redobra, porque o que haveria sido do mundo se não tivesse sido inventado o tambor, se a poesia não reinventasse o mundo dentro de nós, se o conto, ao improvisar o mundo, não o reordenasse, se o teatro não desvelasse a cerimônia secreta das máscaras e por isso...Por que creio, narro oralmente.

Creio que contar é defender a pureza, defender a sabedoria da ingenuidade, defender a força da indagação. Creio que contar é compartilhar a confiança, compartilhar a simplicidade como transparência da profundidade, compartilhar a linguagem comum da beleza. Creio que contar É UMA FORMA DE AMOR!

Garzón Céspedes


*Fonte:

14 comentários:

Guará Matos disse...

Era uma vez....
Alguém tão interessante que nos deixa muito feliz em interagir.
É Denise Guerra, beijo querida.
Ah, é uma História de pura verdade verdadeira.

Denise Guerra disse...

Oi Guará, eu conheci um gentleman na internet e ele todos os dias posta seus textos autênticos e cheios de intensidade e energia. Este rapaz criativo mora em São Gonçalo e adora fazer o bem para os seus seguidores e para a sociedade. Não posso te contar mais detalhes mas, eu só sei que foi assim que tudo aconteceu... Obrigada pela presença! bjs!

Almirante Águia disse...

Vim até aqui para conferir o Credo, gostei e voltarei. Somente para ilustrar um pouco, ontem eu contava historinhas para meus sobrinhos e flhos, coisas de minha própria vida, um dizia que era mentira, outro jurava que era verdade, que tinha acontecido comigo, eu não iria mentir, isso virou uma confusão, as outras crianças somente olhando, de repente o que acreditava em mim, inocentemente falou, tá bom tio, deixa ele prá lá, conta outra verdade. Achei muita graça de tudo isso, ele tentou explicar que não me chamava de mentiroso, acreditava em mim e coisa e tal, as gargalhadas foram ultra-sonoras, pois os adultos de dentro de casa estavam todos quietinhos ouvindo as histornhas que eu contava, lógico que tudo isso me deixou muito entusiasmado, descobri um público secreto no seio da família.

Grande abraço

Rita Cidreira disse...

Eu também creio que o contador de história, seja um semeador de amor.
Aflorando suas riquezas a serem compartilhadas com os outros, fazerdo elas acordarem para seus sentimentos, e sentir que está vivo dentro daquela determinada historia!
Porisso eu chorro,
Amo e conto,
para viver no mundo de encanto.
Beijos no Coração.

Meias de Seda (Suzy) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rita Cidreira disse...

Dia do contador de história.
Que legal!!! Não sabia!
Mas o contador de historia é um artista, que aflora seus pensamentos, para alegria de outros
apreciar...
É verdadeiramente uma forma de amar.
Por isso eu chorro,
amo e conto, para viver no mundo de encanto.
Beijos no Coração.

Denise Guerra disse...

Olá Amirante Águia, seja bem-vindo! Que coisa boa que acontece na sua casa, é preciso não perder pois, estes momentos bons são únicos! Meu pai também me contava histórias e até hoje conta histórias sobre seu tempo de criança jurando que é verdade, e eu sempre acredito! afinal ter um herói de verdade ao seu lado não é pra todo mundo! Obrigada pela visita! Abçs!

Denise Guerra disse...

Oi Rita, eu sabia que vc ia gostar deste texto, encantos e imaginações mágicas tem tudo haver conosco. E então, vc conhecia o tal Zapoquê?! Bjs!

Denise Guerra disse...

Oi Suzy que legal! agente teve o privilégio de ter heróis de verdade contando histórias pra nós. Nunca ouvi falar desta tal "Isabel Vilão", poxa, vc podia contar no blog pra nós?!

Rita Cidreira disse...

Oi, Denise o Zapoquê, eu nunca ouvir falar. Conheci aqui com você, mas não entendi bem como se brinca.
Beijos no Coração.

Denise Guerra disse...

Oi Rita, o Zapoquê éum jogo de escolhas feito o"Par ou ímpar". É fácil, um elemento pode ser capturado pelo outro ou pode capturar se ele for mais forte, por exemplo: Se um colega colocar o elemento Papel e o outro Tesoura (a tesoura corta o papel e ganha). Para ver a sequência da brincadeira veja a segunda figura que postei. Ainda não fizemos jus ao legado de Deus na terra mas, precisamos pois estamos sucumbindo pelo desleixo a este legado. Bjs e obrigada pela presença!

Meias de Seda (Suzy) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Denise Guerra disse...

Ai que ótimo esta história Suzy!!! Obrigada, vou contar pros meus alunos!!! Adorei, apesar de morbida vem a lição de moral: Nem tudo que reluz é ouro!!!Bjs!!!

Meias de Seda (Suzy) disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
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