sexta-feira, 22 de julho de 2011

*As histórias dos índios, por eles mesmos - Débora Lerrer*

Ameaçada por grilagem de terras, desmatamento, garimpo, obras de governos e minada pela discriminação, a cultura dos  povos indígenas brasileiros resiste (agora também) em forma de literatura e conquistando espaço no mercado editorial. Há uma boa safra de escritores indígenas dedicados à literatura infanto-juvenil e publicados por diversas editoras, inclusive grandes como Martins Fontes, Paulinas e FTD. O ano de 2011 deve  terminar com pelo menos 19 títulos novos no mercado, entre os quais A cura da terra, de Eliane Potiguara, pela Global Editora, e Mondagará, de Rony Wasiry Guará, pela Saraiva.
Esse interesse se deve, em parte,  à Lei  11.645, aprovada em 2008, que  criou a obrigatoriedade de se tratar a temática indígena  e afro-brasileira no currículo escolar brasileiro. Mas também é possível que nomes como Daniel Munduruku, Graça Graúna, Yaguarê Yamã e  Olívio Jekupé estejam  ganhando as prateleiras das livrarias do país graças a suas vendagens, turbinadas recentemente pelas compras governamentais, via PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).
A Global, com 11 livros de autores indígenas em seu catálogo, publicou o primeiro O Povo Pataxó e Suas Histórias em 1999 e depois não parou mais. Segundo seu editor, Luis Alves Junior, esses livros já vendiam bem antes da lei, tanto que alguns deles já haviam ganhado reimpressões – o livro Você se lembra, pai? de Daniel Munduruku, publicado em 2003, é um deles.
A lei chegou anos depois da  articulação de escritores indígenas em encontros nacionais, liderados pelo pioneiro Munduruku, e deflagrada há oito anos com grande apoio institucional da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil. “Nós não endossamos o trabalho destes autores porque são indígenas, mas porque estão fazendo uma literatura de qualidade para as crianças”, diz Beth Serra, presidenta da Fundação.
Doutor em Educação e autor de 43 livros, a maioria dos quais infanto-juvenis, Munduruku, de 47 anos,  editou seu primeiro  livro, Histórias de Índio, em 1996, pela Companhia das Letrinhas, depois de bater em várias portas. Hoje já tem 20 edições.“Lançar livro para criança da cidade com ótica indígena era difícil. Na época, era sempre antropólogo, escritor, historiador que escrevia sobre o índio, que não tinha voz nem vez no mercado editorial”.
De lá para cá, Munduruku já abocanhou vários prêmios nacionais e internacionais, como o “Jabuti” de 2004  pela obra Coisas de índio, da Callis Editora.
Natural de Belém (PA) mas vivendo em Lorena (SP) há mais de 20 anos, Munduruku é formado em Filosofia, com Licenciatura em História e Psicologia. Ele chegou à literatura infanto-juvenil através de suas experiências como professor e educador social de rua da Pastoral do Menor em São Paulo, onde acabava contando as histórias que escutava quando vivia entre seus parentes aldeados.
Para ele, a literatura funciona como “maracá”, o chocalho que é utilizado como instrumento de cura pelos pajés. Acredita-se que dentro dos maracás há uma voz sagrada que é a que os pajés utilizam para conversar com os espíritos que fazem a cura das pessoas que os procuram. A literatura deles teria este componente. “É nosso maracá  para a sociedade brasileira”.  Para ele, esta  geração de escritores indígenas  escreve como uma forma de “curar o Brasil”, ajudando a sociedade “a conhecer sua história e não perder de vista a contribuição que os indígenas oferecem”.
Outro “parente” de Munduruku neste movimento que usa a literatura como “arma de defesa do povo indígena” é  Olívio Jekupé, de 45 anos,que teve que abandonar o curso de Filosofia por dificuldades econômicas. Publicando desde 2001, Jekupe é autor de um total de 11 livros, o mais recente “Tekoa – conhecendo uma aldeia indígena”, pela Editora Global. Jekupé, que vive na aldeia guarani  Krucutu, em São Paulo,  prefere denominar sua literatura de “nativa” e não de “indígena”  para diferenciá-la da literatura que os outros escrevem tendo o índio como objeto. “Ela sai de dentro da gente, do que conhecemos, pois escrever sobre índio não é só escrever, é preciso conhecer e viver essa cultura”.
Relatos orais das velhas gerações indígenas
Para Munduruku foi um acaso eles terem caído no gosto do público infantil. Acabou dando certo. “Não é que a gente escrevesse para crianças, é pelo teor das histórias que a gente conta. A gente recebia essas histórias de forma oral. Caía na nossa memória. E o nosso pessoal foi começando a aprender a escrever”.
Muito do que esta geração de autores indígenas faz é verter para o papel as lendas e histórias dos povos indígenas, repletas de conteúdos éticos e morais, que eram transmitidas oralmente para suas crianças há séculos, com clara função educativa.
Por outro lado, a literatura infanto-juvenil também é mais acessível a eles por serem livros menores e relativamente mais fáceis de escrever. Afinal, esta turma só recentemente está sendo escolarizada  com a preocupação em resguardar sua identidade étnica, ou seja, “sem desprezar sua identidade, desistir de sua história e desacreditar seus sábios”, observa Daniel Munduruku (Doutor em Educação e autor de 43 livros infanto-juvenis).
*Fonte:

*Repassando: Cirurgia Gratuita de Lábio Leporino e Fenda Palatina*

*Recebido através de Email. 
CLIQUE NA IMAGEM PARA VISUALIZAR MELHOR!*

quinta-feira, 21 de julho de 2011

"EU DANÇO POR QUE O INSTANTE EXISTE, E MINHA VIDA ESTÁ COMPLETA, NÃO SOU ALEGRE NEM SOU TRISTE, SOU DANÇARINA DE SALÃO!!!"

*Foto do meu arquivo pessoal, com o amigo dançarino Helinho.
Muito samba nessa hora!!!


A dança e o riso são as melhores portas, as mais naturais, as mais facilmente acessíveis para entrarmos na não-mente. Se você realmente dançar, o pensamento pára. Você dança sem parar, girando, girando e se tornar um redemoinho - todas as fronteiras, todas as divisões desaparecem. Você nem mesmo sabe onde seu corpo termina e onde a existência começa. Você se dissolve na existência e a existência se dissolve em você.
E se você estiver realmente dançando - não controlando a dança, mas deixando que ela o conduza - se você estiver possuído pela dança, o pensamento pára.
O mesmo acontece com o riso. Se você for possuído pelo riso, o pensamento pára. E se você conhecer alguns momentos de não-mente, esses vislumbres lhe assegurarão muito mais recompensas que irão surgir.
O riso pode ser uma bela introdução a um estado de não-pensamento. 
No dia em que o homem se esquecer de rir, no dia em que o homem se esquecer de brincar, no dia em que o homem se esquecer de dançar, ele não será mais um homem; ele terá caído para uma espécie sub-humana. A brincadeira o deixa leve, o amor o deixa leve, o riso lhe dá asas.
Dançando com alegria ele pode tocar as estrelas mais longínquas, pode conhecer o próprio segredo da vida.
EU AMO DANÇAR!!!
DANCE VOCÊ TAMBÉM!!!
SALVE O DIA 21 DE JULHO
 DIA DO DANÇARINO DE SALÃO!!!



quarta-feira, 20 de julho de 2011

*FELIZ DIA DO AMIGOOOOO!!!!*

*AMIGOS AGENTE ESCOLHE, SEGUE, PERSEGUE PRA SEMPRE!!!!
FELIZ DIAS, HORAS, MINUTOS EXISTÊNCIAS!!!
BJUS NO CORAÇÃO!!!

*Agenda do Músico Reinaldo Pestana*

*Recebido através de email, agradecemos o envio e repassamos aos leitores do blog*

terça-feira, 5 de julho de 2011

*TEAR: CURSO PARA EDUCADORES*




CURSO PARA EDUCADORES
2º Semestre

ARTES INTEGRADAS NA EDUCAÇÃO (AIEDUC) 
Curso voltado para educadores que desejam aprimorar  suas práticas educativas na perspectiva da educação  através da arte.   Com atividades lúdicas de sensibilização, criação  e reflexão, integrando as diversas linguagens da arte, o curso contribui à ampliação do olhar sobre os conceitos  de infância, cultura e as concepções de educação estética  e criadora.   
De 13 de agosto a 26 de novembro Sábados, de 8:30 às 12:30 
Orientação: Equipe de arte-educadores do TEAR 

RODAS DE BRINCAR 
Rodas de Brincar é um espaço para compartihar  brincadeiras, brinquedos e histórias, onde  os participantes são convidados ao movimento,  ao brincar coletivo. Os brinquedos, as brincadeiras e as histórias guardam  uma memória viva, uma estrutura humana, nos  despertando encantamento e beleza.  
De 03 a 24 de setembro Sábados, de 9h às 12h Orientação de Vicente Barros e Marcela Carvalho   

CARRETEL DA FOLIA  
Dividida em dois encontros, a oficina se propõe  a compartilhar memórias da Brinquedoteca Carretel  de Folia, desvendando seus segredos e processo  de criação coletiva.
A Brinquedoteca Carretel de Folia  surgiu do desejo de levar para a escola pública uma  proposta lúdica e prazerosa que aproximasse cultura  popular e educação.   O brinquedo surgiu como ponto de interseção para criar  um espaço de reflexão e pesquisa sobre o Brasil e suas  raízes culturais.  
Dias 01 e 08 de outubro
Sábados, de 8:30 às 12:30  Orientação: Edith Lacerda

sexta-feira, 24 de junho de 2011

*Quando é que se 'Pensará' em Deixar Filhos Melhores para o Nosso Planeta?"

A Evolução da Educação:
Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas...Agora mudou tudo!

Leiam o relato de uma Professora de Matemática: 

Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la. 

Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender. 
Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim: 


1. Ensino de matemática em 1950: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. 

O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda. 
Qual é o lucro? 

2. Ensino de matemática em 1970: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. 

O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro? 

3. Ensino de matemática em 1980: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. 

O custo de produção é R$ 80,00. 
Qual é o lucro? 

4. Ensino de matemática em 1990: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. 

O custo de produção é R$ 80,00. 
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00 


5. Ensino de matemática em 2000: 

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. 

O custo de produção é R$ 80,00. 
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
(  )SIM (  ) NÃO 


6. Ensino de matemática em 2009: 
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. 

O custo de produção é R$ 80,00. 
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00. (  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00 
E se um moleque resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a professora provocou traumas na criança. 

*Esta questão foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:
*Todo mundo está 'pensando'
em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
*Quando é que se 'pensará'
em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
Fonte:
Recebido por email através de uma amiga professora. Não constava o autor(a). Retirei o último parágrafo, pois, trazia fortes indícios do crime de Racismo aos negros e indígenas, além de preconceito contra as pessoas com deficiência. Procuro aproveitar o que há de útil nas coisas que recebo.

domingo, 19 de junho de 2011

*Curso de História da Baixada Fluminense em Queimados pela UNIRIO, UFRRJ e IPHAN*

Enviado pelo blog  Memória e Patrimônio Histórico de Queimados na pessoa do profº Nilson a quem agradecemos a gentileza da informação!
Fonte: http://memoriaqueimados.blogspot.com/

terça-feira, 14 de junho de 2011

*Escultor de Vidas*


Não vai dar tempo de dizer quanto tempo o tempo tem
e também não há tempo tão ajeitadinho assim para dizermos: que tempo bom!
Ou o pobre tempo estaria num destes dias tão desajeitado 
que poderíamos escutar: que tempo ruim! 
Coitado do meu tempo, o ruim é não tê-lo maior
Imaginem um senhor velhinho de barbas brancas andando pelas ruas
Onde pessoas o classificariam em bom ou ruim conforme os ventos?
Definitivamente não conhecemos o velho e bom (ou ruim) Tempo
mas, que ele é o escultor de nossas vidas isso é!
*
Denise Guerra

domingo, 29 de maio de 2011

*De volta, Rindo pra não chorar!*

   
O noivo escreveu um poema para a
     noiva um pouco antes do casamento:
Que feliz sou eu, meu amor!.*
Já, já estaremos casados.*
O café da manhã na cama.*
Um bom suco e um pão torrado.*
 
Com ovos bem mexidinhos.*
Tudo pronto bem cedinho.*
Depois irei para o trabalho.*
E você para o mercado.*
 
Daí você corre pra casa.*
Rapidinho arruma tudo.*
E corre pro seu trabalho.*
Para começar o seu turno.*
Você sabe que de noite.*
Gosto de jantar bem cedo.*
De ver você bem bonita.*
Alegre e sorridente.*
 
Pela noite minisséries.*
Cineminha bem barato.*
Nada, nada de shoppings.*
Nem de restaurantes caros.*
 
Você vai cozinhar pra mim.*
Comidinhas bem caseiras.*
Pois não sou dessas pessoas.*
Que gosta de comer besteiras....*
 
Você não acha, querida.*
Que esses dias serão gloriosos?.*
Não se esqueça, meu amor.*
Que logo seremos esposos!.*
 

como resposta, a noiva escreveu um poema para o noivo
 
Que sincero meu amor!.*
Que oportunas tuas palavras!.*
Esperas tanto de mim.*
Que me sinto intimidada.*
 
Não sei fazer ovo mexido.*
Como sua mãe adorada.*
Meu pão torrado se queima.*
De cozinha não sei nada!.*
 
Gosto muito de dormir.*
Até tarde, relaxada.*
Ir ao shopping fazer compras.*
Com o Visa tarja dourada.*
 
Sair com minhas amigas.*
Comprar só roupa de marca.*
Sapatos só exclusivos.*
E as lingeries mais caras.*
 
Pense bem, que ainda há tempo.*
A igreja não está paga.*
Eu devolvo meu vestido.*
E você seu terno de gala.*
 
E domingo bem cedinho.*
Prá começar a semana.*
Ponha aviso num jornal.*
Com letras bem destacadas:
 
HOMEM JOVEM E BONITO.*
PROCURA ESCRAVA BEM LERDA.*
PORQUE SUA EX-FUTURA ESPOSA.*
MANDOU ELE IR À M...!*
Fonte:
Autor desconhecido, recebido através de email.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

*Professores continuam em Greve em vários estados do Brasil. Quando é que a Educação Vai ser prioridade neste país?*



O PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO!

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência.
É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado.
Tem automóvel, chora de "barriga cheia'.
Fala em voz alta, vive gritando.
Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Precisa faltar, é um 'turista'.
Conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.
Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado.
Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso.
Não chama a atenção, não sabe se impor.
A prova é longa, não dá tempo.
A prova é curta, tira as chances do aluno.
Escreve muito, não explica.
Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala corretamente, ninguém entende.
Fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude.
Elogia, é debochado.
O aluno é reprovado, é perseguição.
O aluno é aprovado, deu 'mole'.
É! O professor está sempre errado!  Mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele!
   

quarta-feira, 18 de maio de 2011

*Jovens Padres Posam para Calendário do Vaticano?!*


Pessoal, não costumo publicar heresias, mas, esta aí já está publicada, e pelo Vaticano?! Que Pecado! Vejam a lista dos doze padres escolhidos pela beleza física para posarem para um calendário do vaticano, será que é verdade? Tem mulher querendo saber onde ficam as paróquias:

domingo, 15 de maio de 2011

sábado, 14 de maio de 2011

*EXIGIMOS RESPEITO À DIVERSIDADE CULTURAL! Reproduzo aqui uma Reivindicação Justa, Publicada no Blog do Escritor Daniel Munduruku!*

INDÍGENAS EM MOVIMENTO: POR UMA POLÍTICA CULTURAL PARA NOSSOS POVOS.
Amigos, amigas, aliados, aliadas,
Eu assino embaixo o protesto orquestrado pelo Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual - INBRAPI - contra o desrespeito e descaso que o Governo Brasileiro tem demonstrado para com a rica diversidade cultural de nossa gente indígena.
Faço isso não apenas como Diretor-Presidente do INBRAPI - incentivador desta ação -, mas também como cidadão brasileiro, indígena, escritor e militante da cultura nacional e que conhece os (des)caminhos da atual política cultural.
Gostaria que lessem com a devida atenção o conteúdo proposto e se sentirem a vontade para nos apoiar, engrossem nossas fileiras para que nossa ação ganhe contorno nacional.
"Índígenas em Movimento: Por uma Política Cultural para nossos Povos".
Saudações Kaingáng, parentes e aliados!



A criação de Pontos de Cultura Indígenas, dentro de terras indígenas a serem geridos por Organizações Indígenas foi uma reivindicação feita pelos nossos Povos e Organizações perante o Ministério da Cultura, que foi anunciada pelo MINC em uma cerimônia realizada no Memorial dos Povos Indígenas, então coordenado por Marcos Terena, em 16 de abril de 2009, celebrando o lançamento dos primeiros 30 Pontos de Cultura Indígena (PCI's), na Região Norte.
Em 2010, o MINC anunciou a implementação de outros 92 PCI's, porém restringiu a apresentação de propostas às OSCIP's, o que foi questionado pela Procuradoria Geral da República do RJ, que solicitou novo edital permitindo a participação de ONG's (já que existem pouquíssimas OSCIP's Indígenas no Brasil, mas há uma grande diversidade de Organizações Indígenas, muitas das quais atuam prioritariamente na área de cultura).
O resultado desse processo excluiu todas as Organizações Indígenas que apresentaram propostas e favoreceu grandes organizações (com aparato burocrático e capacidade técnica) e, pasmem: há organizações selecionadas para gerir Pontos de Cultura em 2 regiões em que a palavra CULTURA não figura nem no Estatuto da entidade!
É revoltante que em plena II Década Internacional dos Povos Indígenas (cujo objetivo é dar visibilidade às nossas demandas) o Governo Brasileiro continue designando tutores pra fazer as coisas em nome dos Povos Indígenas, como se não tivéssemos capacidade para fazê-las nós mesmos!
Que justificativa o MINC pode nos oferecer para explicar porque o Edital para implementação dos Pontos de Cultura Indígena por OSCIP's tinha prazo de 45 dias e permitia o envio de propostas por correio, no entanto, quando a Procuradoria Geral da República do RJ solicitou o cancelamento desse Edital para que as ONG's pudessem apresentar suas propostas o Chamamento Público para Implementação dos Pontos de Cultura passou a ter 15 dias de prazo e só permitia a inscrição de propostas via SICONV?
A ata redatada pela ABA é muito clara em demonstrar que a grande maioria das Instituições consideradas desabilitadas ou desclassificadas (incluídas todas as Organizações Indígenas que apresentaram propostas) tiveram suas propostas desabilitadas ou desclassificadas porque não tiveram tempo hábil ou não conseguiram cadastrar suas propostas no SICONV! Isso é usar tecnologia e burocracia pra promover exclusão e não diversidade cultural!
O Chamamento Público para Implementação dos Pontos de Cultura Indígena incluiu pontuação voltada para a capacidade técnica da organização proponente, valorizando a formação e a experiência dos antropólogos que compõem tais equipes, mas não atribuiu qualquer pontuação pelo fato de a Organização ser Indígena, nem de contar com a participação de profissionais indígenas, então que protagonismo é esse que se proclama em um edital que resultou na escolha de grandes organizações para implementar Pontos de Cultura Indígena em mais de uma Região, sendo que há entidades selecionadas que nem mesmo atuam na área de cultura!
Viemos recordar ao MINC, ao Governo e a sociedade brasileira que o princípio que deve orientar a implementação de Pontos de Cultura É PREMIAR INICIATIVAS CULTURAIS JÁ EXISTENTES e não financiar ONG's alienígenas ao contexto cultural dos nossos Povos!
O que houve com o princípio do multiculturalismo? Por que o princípio da diversidade cultural foi substituído pelo da massificação e homogeneização? Onde está a igualdade de condições e a transparência dos processos públicos para gerir ações afirmativas para Povos Indígenas em que somos os primeiros a serem excluídos quando deveríamos ser priorizados? Até quando o protagonismo e a livre-determinação serão demagogia e retórica em editais, programas e projetos governamentais para Povos Indígenas?
O INBRAPI vem denunciar e fazer um chamamento público contra a exclusão dos Povos Indígenas e de suas Organizações na seleção das Entidades Privadas sem fins lucrativos para implementar Pontos de Cultura Indígena no Brasil, no âmbito do Programa Mais Cultura, do Ministério da Cultura e solicitar a adesão e o apoio de parentes e aliados à Representação que segue em anexo, a ser protocolada no Ministério Público Federal na próxima semana!
Por cerca de 5 séculos disseram que somos incapazes e nos impuseram línguas, culturas e hábitos eurocêntricos!
Exigimos respeito aos direitos que o Estado Brasileiro consagrou em seu ordenamento jurídico: Somos Povos Indígenas e temos orgulho da nossa diversidade cultural e não assistiremos de braços cruzados que o nosso protagonismo seja violado pela burocracia Estatal!
Envie sua manifestação parentes, divulguem nosso protesto e juntem-se à nossa luta os aliados de Organizações Indígenas e Pró-Indígenas, da Academia, do Movimento Negro e das Comunidades Locais pelo respeito à diversidade cultural do Brasil!
Lucia Fernanda Jófej - Kaingáng
Fonte:

domingo, 8 de maio de 2011

*Bolívia cria Lei da Mãe Terra: País dá exemplo ao Mundo*


A Bolívia está em vias da aprovar a primeira legislação mundial dando à natureza direitos iguais aos dos humanos. A Lei da Mãe Terra, que conta com apoio de políticos e grupos sociais, é uma enorme redefinição de direitos. Ela qualifica os ricos depósitos minerais do país como "bençãos", e se espera que promova uma mudança importante na conservação e em medidas sociais para a redução da poluição e controle da indústria, em um país que tem sido há anos destruído por conta de seus recursos, informa o Celsias.

Na Conferência do Clima de Cancun, a Bolívia destoou da maioria quando declarou que todo o processo era uma farsa, e que países em desenvolvimento não apenas estavam carregando a cruz da mudança do clima como, com novas medidas, teriam de cortar também mais suas emissões.

A Lei da Mãe Terra vai estabelcer 11 direitos para a natureza, incluindo o direito à vida, o direito da continuação de ciclos e processos vitais livres de alteração humana, o direito a água e ar limpos, o direito ao equilíbrio, e o direito de não ter estruturas celulares modificadas ou alteradas geneticamente. Ela também vai
assegurar o direito de o país "não ser afetado por megaestruturas e projetos de desenvolvimento que afetem o equilíbrio de ecossistemas e as comunidades locais".

Segundo o vice-presidente Alvaro García Linera. "ela estabelece uma nova relação entre homem e natureza. A harmonia que tem de ser preservada como garantia de sua regeneração. A terra é a mãe de todos".  O presidente Evo Morales é o primeiro indígena americano a ocupar tal cargo, e tem sido um crítico veemente de países industrializados que não estão dispostos a manter o aquecimento da temperatura em um grau. É compreensível, já que o grau de aquecimento, que poderia chegar de 3.5 a  4 graus centígrados, dadas tendências atuais, significaria a desertifição de grande parte da Bolívia.

Esta mudança significa a ressurgência da visão de um mundo indígena andino, que coloca a deusa da Terra e do ambiente, Pachamama, no centro de toda a vida. Esta visão considera iguais os direitos humanos e de todas as outras entidades. A Bolivia sofre há tempos sérios problema ambientais com a mineração de alumínio, prata, ouro e outras matérias primas.

O ministro do exterior David Choquehuanca disse que o respeito tradicional dos índios por Pachamama é vital para impedir a mudança do clima. "Nossos antepassados nos ensinaram que pertencemos a uma grande família de plantas e animais. Nós, povos indígenas, podemos com nossos valores contribuir com a solução das crises energética, climática e alimentar".  Segundo a filosofia indígena, Pachamama é "sagrada, fértil e a fonte da vida que alimenta e cuida de todos os seres viventes em seu ventre."

*Fonte:
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