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terça-feira, 20 de abril de 2010

*LENDA DO POVO XOKLENG SOBRE A CRIAÇÃO DE SUA CULTURA*


“Segundo a lenda Xokleng sobre a geração do ser humano, sabemos que há duas formas de geração. Uma saiu da montanha e a outra da água do mar... conta a lenda que na vontade de sair, mas com muito medo, o chefe Vâjeky, manda um dos membros da comunidade sair para investigar a terra e trazer uma amostra do lugar para ele. Este homem vai e vê as aves e pensa: “Vou levar um desses pássaros para meu chefe”. Surge então o arco e a flecha com os quais o ser humano mata um gavião e traz para o seu chefe. O líder fica contente, mas, inseguro, envia outros seres humanos, os quais também trazem amostras do lugar dando, assim, segurança ao povo que saem da água para a nova terra. Ao saírem da água, todos comemoram a chegada e, durante as comemorações surge a dança, a música e o chocalho que vai ser instrumento musical deles. Após a comemoração, eles ouvem um barulho de outras pessoas e ficam aterrorizados, sem saber o que fazer. Então o chefe tem uma idéia: “vou criar uma onça”, diz. Manda que seja derrubada uma árvore e do tronco dessa árvore faz uma onça. Surge então a arte de esculpir. Depois da onça pronta, ele pede que ela seja pintada. Surge aí a arte de pintar e mais as marcas tribais que vai acompanhar todas as outras gerações até os dias atuais. Nesse primeiro momento as cores não são uma preocupação, por isso só é usado o preto. As outras cores só são observadas nas paisagens naturais. As cores dos pássaros surgem a partir de uma outra lenda, a do beija-flor que escondeu a água. Diz a lenda que na época em que só se encontrava mel em rochas, os pássaros e outros animais não se alimentavam com essa substância. Um dia os pássaros encontraram uma colméia em uma taipa e todos tentavam furar o rochedo para tirar o mel, mas não eram felizes, pois seus bicos acabavam se quebrando com o impacto e o sangue escorria em seus corpos manchando-os, dando assim suas cores, pois não tinham água para lavá-los. Essa lenda é muito importante dentro da arte, porque os Xokleng ao longo de sua caminhada, começaram a usar as penas em seus cocares, artesanato usado pelos velhos chefes guerreiros. Também se usava e usa-se em arcos e flechas, nesse último para dar direção. As mulheres por sua vez usavam penas de pássaros em brincos, colares, pulseiras e enfeites nas pernas e braços. A necessidade de conduzir os alimentos nas andanças dos Xokleng faz surgir a cestaria. Já a vestimenta e cobertores com fibras de urtiga surgiram a partir das baixas temperaturas de certas regiões por onde passavam. A necessidade de cozinhar alguns alimentos, ou esquentar água fez surgir a cerâmica, ou arte de fazer panelas e outros objetos de barro. Esses conhecimentos foram passando de geração em geração até surgir a tal “pacificação” e destruir quase toda a cultura Xokleng”.



Fonte:
•MARCUS, Cledes. Identidade Étnica E Educação Escolar Indígena (Dissertação De Mestrado). FURB: Blumenau, 2006.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

♫A LENDA DO UAKTI: UM SER MÁGICO QUE TERIA DADO ORIGEM À FLAUTA DE BAMBU♫

Uma antiga lenda conta que existiu na Terra um ser mágico chamado Uakti, cujo corpo era repleto de buracos que, ao serem penetrados pelo vento, produziam um som de grandiosa beleza. A melodia encantava as mulheres da aldeia dos índios tucanos, as quais por Uakti instantaneamente se enamoravam.
*
Os homens da aldeia, por despeito e ciúme, uniram-se para caçar e matar Uakti. Atacaram-no e mataram-no com tal veemência, que de seu corpo só restaram pedaços que foram enterrados próximo à taba.

No local, primaveras mais tarde, brotaram plantas cilíndricas e longas, curiosamente ocas e enogadas. Nascia ali um bambuzal e quando o vento soprava entre os bambus, produzia o mesmo som encantador de Uakti.

Foi então que os homens da aldeia se deram conta que poderiam produzir instrumentos daqueles bambus para seduzir as mulheres. Passaram então a fazer flautas de bambu para encantar suas amadas com a beleza do som do instrumento.

*Fonte:

http://images.quebarato.com.br/photos
http://www1.prefpoa.com.br

sábado, 16 de janeiro de 2010

♫OS DEUSES E A CRIAÇÃO DA MÚSICA♫


No começo, nada existia sobre o mundo terrestre, que produzisse a doce melodia ou suave harmonia. Ninguém celebrava com alegres vozes ou feitos mortais, ou tocava qualquer instrumento musical. A melodiosa arte e a divina ciência na combinação de sons, era desconhecida, nenhum conjunto de orquestra havia sido organizado. Homem algum exercia a sacra arte da música e não compunham nem executavam peças musicais.

Um dia, o imortal Anhum, Deus do Canto e neto de Tupã, o Criador, desceu dos céus e veio passear no lendário eldorado, às margens do rio Araguaia, em compania da Deusa Solfá sua noiva, e ao entardecer, o Deus ficou muito triste, porque a vida dos homens era envolvida num tenebroso silêncio.

Então, Anhum, desejando manifestar os diversos afetos de sua alma à amada e divina Solfá, convocou no Ibiapava os Deuses, os semi-deuses, os homens, e depois de muito discutirem, resolveram sob a orientação do Deus Melódico, erigir à Tupã, três altares de pedra e celebrar suave dança.


Feito isso, Anhum chamou a semi-deusa Araci, em primeiro lugar, e ela desenhou na madeira uma pauta composta de cinco linhas e quatro espaços, e além destas, outras linhas e outros espaços, pondo nome nas primeiras de naturais e nas segundas, de suplementares superiores e inferiores.



Em segundo lugar, convocou Vapuaçú Deus dos sonhos amenos e das suaves ilusões que criou as sete claves, representadas por três interessantes figuras as quais deu o nome de Sol, Fá e Dó.

Em terceiro lugar, chamou Abeguar que rapidamente colocou sobre as linhas sete pontos que foram chamados de notas. Determinou que cada clave daria seu nome à nota que fosse assinada sobre a mesma linha e consequentemente, determinaria os nomes de todas as demais notas que estivessem nas outras linhas e espaços. Finalmente o próprio Anhum deu nome às notas que subindo são: Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si.



Depois, Manati formou a primeira harmonia aplaudido por todos. Em seguida, o poderoso Guarací, executou o primeiro ritmo cadente e a primeira canção. Tujubá, o poderoso mortal, apresentou os primeiros acidentes, Sustenidos e Bemóis; formou as escalas; e criou os tons, os semitons e os intervalos. Solfá criou o primeiro cântico divino. O Saci pintou as notas de preto e deu valor a cada uma.

Quando tudo estava concluído, Tupã ficou muito satisfeito e abençou a música que tornou-se divina. O povo unindo suas vozes aos imortais louvou o amável Zéfiro e a fresca aragem; terminada a curta e bela oração que Tujubá ofereceu a Tupã, os deuses, tendo à frente o divino Inochiuê (Deus protetor das virgens), regressaram aos céus e nas verdejantes campinas quem circundavam o Eldorado, Anhum e Solfá, louvaram em um grande e solene canto, “O sagrado Tupã e sua poderosa filha Caupé”.

E foi assim que nasceu a mais linda e envolvente de todas as arte: a MÚSICA.
*Fonte:
*PINTO, Wilson. AS MAIS BELAS LENDAS BRASILEIRAS. Santa Catarina: Edições Excelsus.

domingo, 10 de janeiro de 2010

♫A NOITE E O SOM DA LENDA MUNDURUKU♫

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Daniel Munduruku conta, em seu livro As Serpentes que roubaram a noite e outros mitos, que Karu Bempô, jovem guerreiro da tribo dos mundukuru, visitou por três vezes a morada da serpente em busca da noite. Na primeira visita, Karu Bempô ofereceu à serpente, em troca da noite, um arco e flecha. O presente foi recusado por Surucucu, a serpente, que justificou não ter os braços para usá-lo.

Na segunda visita, a oferta era uma matraca(instrumento musical) que prontamente foi amarrada no rabo da serpente. Entretanto, ela não possuia força suficiente para chacoalhar o instrumento, pois, a matraca era muito pesada. Mesmo assim, Surucucu deu a Karu Bempô um saquinho com um pouquinho da noite. Ao chegar na tribo, o saquinho foi aberto e de dentro dele a noite saiu e escureceu tudo. Imediatamente, guerreiros e animais dormiram profundamente. O sol escaldante que brilhava sem cessar permitiu que pessoas e animais repousassem um pouco.

Porém, isso durou pouco tempo, e logo o sol voltou a brilhar alegremente. Vendo que a quantidade de noite não era suficiente para o descanso dos mundukuru e dos animais, Karu Bempô voltou ao ninho da serpente. Esta o esperava com um saco bem grande, cheio de noite, pois, sabia que ele voltaria. Surucucu exigiu um pote de veneno em troca da noite mais longa, e prometeu que usaria o veneno com bastante cuidado para não ferir as pessoas gravemente. Após alguns dias, quando a troca foi realizada, Surucucu alertou Karu Bempô que o saco só poderia ser aberto depois de algumas horas para que desse tempo de o veneno ser distribuído com critério entre as cobras da floresta.

Porém, quando Karu Bempô chegou na aldeia, o desespero do seu povo era tanto que acabaram arrancando das suas mãos o grande saco. Ao cair, ele se abriu e todo o universo foi invadido pela mais profunda escuridão. Na floresta, enquanto isso, as cobras avançaram no veneno e serviram-se dele sem nenhum cuidado. Assim, aquilo que deveria ser distribuído em quantidade pequena, apenas para que pudessem se defender das pessoas, transformou-se numa arma perigosa e fatal tornando as cobras inimigas mortais de outros animais. Os munduruku e os animais, por sua vez, gostaram muito de conseguir a noite de volta para descansar e iniciar o dia de trabalho com força e disposição.


*Este é o escritor Daniel Munduruku. Ele nasceu em 1964, em Belém do Pará. Cresceu ouvindo histórias indígenas na aldeia construída nos arredores da cidade. É formado em Filosofia e licenciado em História e Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP).Trabalhou com meninos de rua. Vive em São Paulo, onde fez pós-graduação na USP sobre o povo munduruku. Índio da nação tupu munduruku, Daniel é autor premiado de vários livros sobre a cultura indígena.
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*Este texto foi baseado no livro AS SERPENTES QUE ROUBARAM A NOITE E OUTROS MITOS, de Daniel Munduruku. São Paulo: Peirópolis, 2001.
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