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sexta-feira, 6 de abril de 2012

*Os Legados Ancestrais na Cultura Afro-Indígena Brasileira e a Implementação da Lei 11.645/2008*

Republicando hoje em Repudio às ações de Plágio feitas pelo cidadão guineense Cécil Policarpo Cabral D'almada que  utilizou este texto numa palestra,e, num ato de total falta de ética retirou o meu nome e colocou o dele embaixo. Ainda temos Direitos Autorais neste país! Este texto foi publicado pela primeira vez na Revista África e Africanidades com ISSN 1983.2354, em 09/05/2010 e aqui em 27/05/2010.

Denise Guerra
As heranças culturais entre os índios e descendentes africanos brasileiros guardam muitas semelhanças. Ambos os povos que deram origem aos brasileiros (negros e índios) foram expulsos de suas terras, roubados em suas culturas, desvalorizados quanto as suas vozes-línguas, execrados nos seus costumes, feridos quanto as suas crenças religiosas e estigmatizados quanto as suas identidades, para que assim servissem aos desejos do colonizador como marionetes vivas. Entretanto, como observou Freire (2004) os povos em questão utilizaram-se de uma “Manha histórica” como postura de sobrevivência e resistência. É esta manha histórica que deu origem a tão rica cultura (música, dança, arte, literatura etc.). A cultura afro-indígena brasileira é herdeira de grande beleza e peculiaridade singular.

Alguns símbolos são igualmente significantes nas culturas africanas e indígenas. Ao discorrer neste trabalho sobre os referidos símbolos intenciono propor seu reconhecimento e valorização para a afirmação da nossa identidade étnico-cultural. Desta forma, chamarei a atenção para as diversas insígnias entrecruzadas pelos afro-indígenas brasileiros. Num segundo momento, levanto sugestões para o trabalho docente nas diversas disciplinas da educação básica, reiterando que a prática escolar pode e deve ultrapassar os limites da lei 11.645/08 visto que a realidade possui dimensões bem maiores.
A TERRA: o primeiro de todos os símbolos afro-indígenas é considerada pelos seus filhos um Espaço de Vida, um Templo Sagrado acolhedor e fonte de riqueza. Homem e Natureza vivem uma comunhão de amparo mútuo e de integração a partir do respeito e da reverência. Na Dupla vivência do Homem com a Natureza os povos indígenas e africanos não vêem separação, fazem invocações, saudações à natureza especialmente às Árvores e aos seres Ancestrais. A natureza e os seres ancestrais por sua vez lhes dão sinais e apontam caminhos através dos trovões, das águas, dos ventos, dos animais, dos espíritos etc. Há uma relação de respeito e não de posse nas culturas afro-indígenas em relação a terra, tanto assim que os africanos chegam a dizer que não são eles os donos da terra, é a terra que os tem. A visão de mundo de ambos é de forma cíclica e não linear. Os afro-indígenas atribuem a terra um valor tal que sem ela é como se lhes faltassem o ar.

AS ÁRVORES: Falando da terra somos levados a pensar nos seus frutos, cito particularmente as árvores pela simbologia que as cerca em ambas as culturas. Por extensão, a relação com a natureza para ambas as culturas é muito próxima. Os indígenas acreditam que as árvores são espíritos que já foram pessoas e agora vivem nesta forma de vida. Os Deuses indígenas estão distribuídos na natureza e seus ancestrais são lembrados, valorizados e cultuados como fazem os africanos com seus ancestrais. As árvores são também associadas aos contadores de história detentores da arte e da magia de encantar pela tradição oral. Segundo a tradição africana, nas árvores pode ser plantado o axé do povo de santo de uma casa. Diz-se que antigamente quando um griot morria abria-se o tronco de um baobá e sepultavam o corpo do morto neste tronco. “O Tempo dá, o tempo tira, o tempo passa, a folha vira” (Provérbio africano)

A TRADIÇÃO ORAL: é de suma importância para as culturas afro-indígenas. A Voz e a Língua Afro-Indígena que traduzidas na cultura oral contam suas histórias, cantam seus orikis, lançam luz à magia dos seus mitos, trazem suas memórias, ensinam através de provérbios aos pequenos curumins, ibejis, erês, crianças, a cultura de seu povo e a direção que devem tomar em suas vidas. Por muito tempo os Afro-indígenas brasileiros foram forçados ao silenciamento e arrancados de dentro dos seus significados linguísticos, no entanto, não se tira o pensamento de uma pessoa, nossos antepassados continuaram pensando em suas línguas, produzindo cultura, transmitindo e ensinando mesmo que através do discurso simbólico como é o caso do Jongo. Nas vozes dos mais velhos o segredo e os costumes são passados como garantia de manter as heranças ancestrais.

A ARTE: uma das marcas mais fortes de identidade étnica é a arte criada por um povo. Neste ponto os afro-indígenas foram bastante singulares, pois, produziram sua arte em referência às suas vidas como auto afirmação e não mera reprodução de modelos acadêmicos. A arte para os afro-indígenas tem um valor diferente da arte do homem europeu. Antônio Olinto (in Lody e Olinto 2007 – Olinto foi adido cultural do Brasil na Nigéria) dizia que:

“o africano não esculpe uma figura ele é a figura que esculpe. Não dança. Ele é a dança.Na identidade perfeita sujeito objeto, o africano é a coisa que faz. Para ele, todos os objetos do mundo estão ligados entre si e estão ligados ao seu corpo e ao seu espírito.”

A arte afro-indígena soma utilidade e estética com fins de prazer, beleza e fruição, que identifica seu povo. A arte afro-indígena pode estar nos objetos, na música, dança, pintura corporal, artesanato e nos rituais sagrados.
O SAGRADO: Os povos afro-indígenas são politeístas e seus deuses encontram-se preferencialmente relacionados à natureza. Os principais dirigentes dos saberes e segredos mágicos nestas duas culturas são o xamã ou o pajé(na cultura indígena), e o pai(mãe) de santo ou babalaô(na cultura afro). Ambas as autoridades religiosas, dos afro-indígenas, utilizam-se dos conhecimentos de plantas e ervas, possuem poderes curativos, alguns tem o dom da vidência e muito prestígio dentro de suas comunidades. A noção de convivermos com dois mundos simultâneos, um visível e o outro invisível (Orum e Ayê da cultura afro) está para os afro-indígenas na mesma conta.

IDENTIDADE ÉTNICA: Passando por áreas tão sensíveis como a natureza, a arte e o místico, podemos dizer que chegamos a uma mostra do que pode ser a identidade étnica afro-brasileira. A identidade étnica é um fenômeno em permanente construção, ela pode afirmar ou negar o pertencimento de uma pessoa recriando significados e intencionalidades. A visão do homem e da sociedade nas comunidades afro-indígenas também parte do mesmo ponto: O coletivo vem antes do individuo, há o conceito de famílias extensas onde todos os membros cuidam igualmente uns dos outros como se segue na criação dos filhos, todos da comunidade são responsáveis. O convívio em grandes grupos comunitários realizando tarefas em conjunto é desejado por todos. A identidade étnica Afro-indígena está certamente nesta integração de povos que valorizam a tradição, a natureza, o convívio com os “parentes” e seus ancestrais.

EDUCAÇÃO: Depois de conhecer os aspectos marcantes e semelhantes das culturas afro-indígenas passamos a pensar na implementação da Lei nº 11.645, de 10 março de 2008 que altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.
Apesar das discussões delimitadas na lei, percebe-se que as diversas áreas do currículo escolar carecem de investimentos para que possa contribuir igualmente com seus conhecimentos, o que enriqueceria as discussões e ampliaria o espaço de atuação dos docentes e de esclarecimentos dos discentes na direção de uma verdadeira educação para a diversidade étnica e cultural brasileira. Seguem-se agora algumas sugestões do que cada disciplina do currículo da educação básica brasileira poderia vislumbrar em suas práticas nas escolas.

Português/Literatura: desde o seu objeto privilegiado, contos, lendas, mitos, poesias, etc. até a exposição de um dicionário repleto de palavras derivadas das línguas étnicas ameríndias e africanas, a língua oficial portuguesa do Brasil conta com as interferências do bilingüismo afro-indígena e a riqueza da tradição oral destes povos. Ressalta-se aqui o poder da voz nestas culturas multiétnicas.
A Arte: a arte brasileira nas suas diversas manifestações é herdeira de gingados, traçados, ritmos, poesias, e outras estruturas; ela nos identifica, particulariza, fortalece e perpetua através das resistências. A arte pode ser um veículo de expressão agregador das diversas heranças culturais.

A Matemática: hoje tão técnica nas grandes cidades, talvez possa ensinar cálculos, medições, quantificações e estratégias de outras maneiras, por exemplo, trilhando os caminhos da etnomatemática. Conforme Lopes (2006) a etnomatemática, estudada atualmente na Faculdade de Educação da USP, é uma moderna forma de ensino da matemática que é feita levando-se em conta o fato de que povos de várias partes do mundo desenvolveram métodos próprios de contar, medir e marcar o tempo, como ficou evidenciado em algumas tradições africanas.

A Geografia: situando os climas, os tipos de solos, as vegetações, os territórios e a população das terras brasilis e africanas com suas diferenças étnicas e as diversas mudanças bio-psico-sociais que sofreram com a mestiçagem e a exposição a tantas intempéries naturais, contribui para o conhecimento do ser afro-indígena brasileiro e do mundo que nos cerca.

A História: pode contribuir promovendo o resgate histórico entre o Brasil, a África e as diversas etnias ameríndias e africanas valorizando o passado, reconhecendo as culturas e suas singularidades, suscitando reflexões sócio políticas e antropológicas.

As Ciências Biológicas: pesquisando sobre a saúde da população afro-indígena brasileira que com certeza recebe os ônus e os benefícios promovidos pelas misturas étnicas. Da mesma forma, pode ilustrar os estudos das espécies da falna e da flora vindos da África para o Brasil e as espécies derivadas nesta terra, além das questões relacionadas às heranças nutricionais que marcam os seres da nossa cultura.

A Educação Física: trabalhando a ressignificação da cultura corporal com suas práticas culturais, folclóricas, esportivas e ou lúdicas reforçando nossa realidade e nossa diversidade. Dando suporte a valorização da imagem corporal, reforçando o pertencimento as etnias originárias do nosso povo, bem como, nossa auto afirmação identitária. Promovendo a inclusão e a não discriminação quanto ao gênero, etnias, condição física ou social.

Nos quilombos, nas aldeias, ou nas escolas, lugares feitos para agregar pessoas, conhecimentos, cumplicidades, interesses mútuos e resistências culturais, sempre houve e sempre haverá uma boa causa para fazer valer nossas essências humanas. Que a educação no Brasil possa ser plural, voltada para a diversidade e contra toda forma de discriminação. Que nós possamos nos comprometer com a verdade, a justiça, a honestidade, e com o respeito as nossas Heranças Ancestrais.
“Que A Água Seja Refrescante, Que A Casa Seja Hospitaleira, Que O Mensageiro Conduza Em Paz Nossa Palavra” (Benção Yorubá)

Bibliografia

•FREIRE, Paulo. Pedagogia da tolerância: organização e notas de Ana Maria Araújo Freire. São Paulo: UNESP, 2004.
•FITIPALDI, Ciça. O Menino e a Flauta(Mito Nambiquara). SP: Melhoramentos, 1998.
•LODY, Raul. África: a Arte do Tempo. Textos Antonio Olinto e Raul Lody (org.) Rio de Janeiro: SESC. 2006.
•LOPES, Nei. Bantos, Malês e identidade negra. Belo horizonte: Autêntica, 2006.
•______Dicionário escolar afro-brasileiro. São Paulo: Selo Negro Edições, 2006.
•______Enciclopédia Bras. Da Diáspora Africana São Paulo: Selo Negro Edições, 2004.
•MARCUS, Cledes. Identidade Étnica E Educação Escolar Indígena (Dissertação De Mestrado). FURB: Blumenau, 2006.
•MUNDURUKU, Daniel. Contos Indígenas Brasileiros. São Paulo: Global, 2004.
•SANTOS, Inaicyra Falcão dos. Corpo e Ancestralidade: uma proposta pluricultural de Dança Arte-educação. São Paulo: Terceira Margem, 2006.
•THEODORO, Helena. Cultura Afro-brasileira. Rio de Janeiro: CEAP, 2007.

*
*Publicado na revista http://www.africaeafricanidades.com.br

*

sexta-feira, 29 de julho de 2011

*POEIRA*


Poeira do Céu
Do Sol
Do Sal
Do Seu Olhar

Poeira do Pó 
Ente Querido
Poeira do Pé
Lento e Tremido

Pó Eira
Pó Edeira
Pó de tirar
Da Chuva
Lama

Poeiral Poeirando 
Pontos Cardeais
Oesteanos 
Outros Anos
Mais e Mais...
*
Denise Guerra

terça-feira, 14 de junho de 2011

*Escultor de Vidas*


Não vai dar tempo de dizer quanto tempo o tempo tem
e também não há tempo tão ajeitadinho assim para dizermos: que tempo bom!
Ou o pobre tempo estaria num destes dias tão desajeitado 
que poderíamos escutar: que tempo ruim! 
Coitado do meu tempo, o ruim é não tê-lo maior
Imaginem um senhor velhinho de barbas brancas andando pelas ruas
Onde pessoas o classificariam em bom ou ruim conforme os ventos?
Definitivamente não conhecemos o velho e bom (ou ruim) Tempo
mas, que ele é o escultor de nossas vidas isso é!
*
Denise Guerra

quarta-feira, 20 de abril de 2011

*Comemorando o Dia dos Nossos Parentes Indígenas no Pico da Coragem - Japeri - Rio de Janeiro, com alguns Alunos do 9º ano*

*Com o objetivo de trabalhar a saúde dos meus alunos e estimulando a compreensão de um estilo de vida saudável  com uma caminhada ecológica, levando ao conhecimento e prática dos jogos indígenas brasileiros, valorizando a cultura indígena como parte importante da formação identitária do povo e da cultura brasileira (LDB Lei 11.645/2008), trabalhando a integração grupal, o espírito de solidariedade e a conscientização ecológica aqui estamos nós nesta caminhada deliciosa ao PICO DA CORAGEM de Japeri!!!

*A subida é dura, são 5.400km de uma estradinha tranquila e íngrime. A galera reclama no começo mas, depois acostuma e não quer mais vir embora!

*Vale Apena estar no Pico da Coragem!

*Como em todo jogo indígena... os últimos também são os primeiros, porque todos são primeiros sempre, afinal, foram eles que chegaram primeiro aqui no Brasil!!!

*A luta corporal dos índios começa de joelhos e abraçados, os meninos aí bem que tentaram!

*O cabo de guerra tão comum nas escolas brasileiras, ninguém lembra que é um jogo indígena.

*E a peteca? é super legal e legitimamente indígena, alguém duvida?

*Nossa craque em embaixadinhas com  coco também deu show no futebol com coco!

*Aqui perna de pau feito eu também tem vez!

*No famoso cama de gato ou jogo dos fios os índios dão show e agente tenta tá bem?!

*A consciência ecológica nos manda e agente dá o recado. Tava lotado de lixo lá em cima uma pena! mas, agente contribuiu trazendo uma porção deste lixo para as lixeiras aqui debaixo!

*Olha só a marra do garoto, ele fez esta abdominal em um segundo, sem nem pensar, arrasou!!!

*Depois teve piquinique com frutinhas e similares, um luxo só! e a volta nem dá vontade de lembrar! só dá vontade de ficar!

*A prova do crime: Plaquinha do Pico da Coragem lá em cima mesmo!
*Professora Denise Guerra
*Na próxima semana eu volto com outra turma! Salve os Índios e a Natureza do nosso País Brasil!!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

*Sem Palavras, mas, com Esperanças*


Um rolo compressor comprimiu
Nossas vidas 
Asfaltou de sangue e dor
Cobriu de gritos e horror
Aumentou nossa impotência
Desnudou nossas esperanças
Ameaçou nossas memórias
Com imagens de terror
Ainda assim eu não quero desistir
Desesperar, me entregar...
O mau não pode vencer o Bem! 
O Amor há de ganhar, a Justiça há de imperar!
*
Denise Guerra
*

sábado, 12 de março de 2011

*O TREM*

Uma Linha
Um Caminho no Além
Lá vai o Trilho
Lá vai o Trem
*
A Chuva Desce
O Sol Aquece
Lá vai o Brilho
Na Linha do Trem
*
O Homem Canta
A Mulher Manca
Ouve-se o Grito
Barulhento do Trem
*
Corpos Sacodem
Vendedores o Percorrem
Este é o Agito
Turbulento do Trem
*
Denise Guerra

sexta-feira, 4 de março de 2011

*Vento em Polpa*

O Vento Não é Mudo
Porém, Muda
Paisagens, Rotinas, Viagens...
Roda Moinhos, Morrinhos, Miragens...
*
O Vento Fala aos Meus Ouvidos
Sopra o Mato
Balança as roupas
Tremula Bandeiras, Birutas, Velas,
Arrepia a Pele...
*
Denise Guerra

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

*ODE À CHUVA*


Chuva Leve
Chuva Solta
Molha Breve
Minha Roupa
*
Chuva Rara
Bulideira
Cai Respinga
Noite Inteira
*
Chuva Brilha
Toda Ilha
Chuva Trilha
Tal Matilha
*
Saudade 
Da Tua Claridade
Do Cheiro De Terra Molhada
Acridoce Beterraba 
*
Denise Guerra

sábado, 26 de fevereiro de 2011

*Paisagens da Janela*


Casa de Cristal
Telhado de Vidro
Panela de Barro
Abrigo de Amigo
*
Espeto de Pau
Arame Farpado
Caminho Listrado
Mato Serrado
*
Fruta de Conde
Trilho de Bonde
Andando ao Longe
Seguindo o Horizonte
*
Denise Guerra

domingo, 20 de fevereiro de 2011

*A GARÇA*

EIS A GARÇA
QUE PASSA
COM GRAÇA
FAZENDO ARRUAÇA
PEDINDO UMA TAÇA
DE LINHAÇA
*
AVE, COITADA!
UM DIA NA PRAÇA
BRIGOU COM OUTRA GARÇA
FEZ UMA TRAPAÇA
E SÓ DE PIRRAÇA
QUEBROU A VIDRAÇA
DA DONA GRAÇA
QUE ACABOU COM A RAÇA
DA GARÇA  E DA COMPARSA
*
Denise Guerra
*

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

*INSETO*

Inseto
Em certo 
Acerta
Insulta
Inculca
Imputa
Impõe
Inóspito
Intensa
Indignação
*
Denise Guerra
*



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

*DUAL*

Diferenças
Disabores
Disamores
Divisores
Dividendo
Dia dentro
Dia fora
Dia chora
Disadora
*
Denise Guerra
*

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

*ORA, ORA*

A dor Dora
A flor Flora
Odor Odora
Calor Calora
Sabor Sabora
Torpor Torpora
Amor Amora
Amador Amadora
*
Denise Guerra

domingo, 23 de janeiro de 2011

*BREVIDADE*


No Tempo de uma Brevidade
Mentirinhas e Doces Chuviscos
Combinam com Biscoitos de Vento
*
Denise Guerra
*

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

*ALMA*


Alma tua
Alma minha
Alma leve tal peninha
Alma doce tal caninha
Alma gêmea
Alma fêmea
Alma prima
Alma rima
Alma fada
Almafadinha
*
Denise Guerra
*

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

*Receitinhas para Emagrecer..."

Receitinhas
Pera, uva, maçã
E salada mista a qualquer hora do dia...
Um pão bem bonito e gostoso no café da manhã...
Um manjar dos deuses no almoço...
Um chuchuzinho na hora do jantar...
Um docinho de coco para sobremesa...
Um sonho para terminar o dia...
*
Denise Guerra

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

*ZINABRE*


Folha Seca
Mangue Novo
Bicho Polvo
Grito Rouco
Estorvo
No Pé de Ferro
*
Denise Guerra
*
Imagem: Obra de Kandinski

terça-feira, 9 de novembro de 2010

*O FURACÃO*


Olhos desnudos de escuridão
Olhos vistos na solidão
Olhos do coração da terra
Olham a imensidão dos rios de lágrima
A correr pro olho do furacão
Olho gordo devorando, sugando, evaporando
Como bocas de ver idades centenárias
*
Denise Guerra

domingo, 10 de outubro de 2010

*VERDE VER*


VEM VER DE PERTO
MEUS OLHOS DE VERDE JÁ
VER DESEJANTE
UM VER DESLUMBRANTE
*
VERDE CANTE
VERDE PLANTE
VERDE JANTE
VERDE JÁ
*
Denise Guerra

domingo, 3 de outubro de 2010

*POEMEU*

POESIA  FÊMEA-MULHER
SALTA O SALTO DE UMA RÃ

POEMA  MACHO-HOMEM
VIRA BICHO OU LOBISOMEM?

CRIADOR E CRIATURA
CRIA COR E CRIA CURA

POEMINHA  POEMEU
PONDO  POENTE  POEU
* 
Denise Guerra

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